Há cerca de duas décadas, os ´tremores de terra´ no Castanhão são motivo de polêmica entre especialistas em geologiaLimoeiro do Norte. O Castanhão foi construído em cima de uma falha geológica no Vale do Jaguaribe. Essas falhas podem ocasionar abalos sísmicos, mais conhecidos como “tremores de terra”. Há cerca de duas décadas, este assunto é motivo de polêmica e divergência entre especialistas em geologia. A Associação Brasileira de Geógrafos foi contrária à construção do açude naquele local pela falta de informações suficientes.
O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo alertou, em 1992, que “a barragem do Castanhão será edificada numa das principais zonas sismogênicas do Brasil”. Os projetistas do Dnocs, órgão responsável pelo açude, sempre negaram que isso fosse motivo para a não-construção da obra. Desde segunda-feira, quando aconteceu o último tremor na região jaguaribana, equipe de cientistas estão monitorando o local.
Uma equipe de sismólogos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), coordenada pelo professor Joaquim Ferreira, está no Açude Castanhão monitorando 24 horas por dia os abalos sísmicos ocorridos este ano e que têm assustado a população do município de Jaguaribara, temerosa de que os tremores de terra afetem a parede do açude. Essa preocupação de que esses fatos geológicos ocorressem no Vale do Jaguaribe foram motivos de discussão entre especialistas e até audiência pública na Assembléia Legislativa.
Há 15 anos, os riscos de abalos sísmicos foram alertados aos projetistas do Dnocs na região onde hoje está o Castanhão. A informação do IPT consta do levantamento “A face oculta do Açude Castanhão”, do engenheiro Cássio Borges, ex-diretor do Dnocs. No estudo, o geólogo José Augusto Mioto, do IPT, alega ter sido a construção do Castanhão sem certos critérios, daí a impossibilidade de dizer se a construção provoca ou não algum sismo.
Conforme o atual diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, o Brasil não tem tradição em terremotos. “Continuamos tranqüilos de que esses tremores não afetarão a parede da barragem”. Afirma que após o terremoto de ontem de 2,3 graus na escala Richter informou ao governador que os cientistas estão monitorando a área, até para o caso de acionarem a Defesa Civil, “mas a barragem foi construída para agüentar fortes abalos”, disse na matéria exclusiva de ontem do Diário do Nordeste.
Elias esclarece que a barragem foi construída com Concreto Compactado Enrolado (CCE), em substituição à argila, antigamente utilizada na construção de barragens. Quando foi percebida a falha geológica, houve mudança da construção para o CCE. “Se fosse parede de argila, talvez o terremoto que houve causasse algum dano, rachadura”.
Não eram comuns terremotos na região onde se localiza o açude castanhão. Os abalos que têm preocupado o Dnocs, embora considerados pequenos, são recentes: o primeiro no dia 24 de junho, de 2,1 graus na escala Richter (que vai até nove); e o de ontem, o maior.
Pelo histórico do laboratório de Sismologia da UFRN, o maior terremoto já registrado no Ceará foi de 5,2 graus na escala Richter e aconteceu na região do município de Pacajus, em 1980, superando o maior ocorrido no Rio Grande do Norte, de 5,1 graus.
Construção
Para a professora doutora em Geografia Ambiental, Vanda Claudino Sales, do departamento de Geografia da UFC, mesmo com todas as denúncias “óbvias” dos riscos e danos ambientais na falha geológica, resolveram fazer a construção do Castanhão.
“Por meio do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema) e da Associação Brasileira de Geógrafos, defendemos uma maior discussão sobre a viabilidade desse açude. Na quase totalidade dos casos, os relatórios têm sido feitos apenas no sentido de confirmar os projetos”, disse.
Melquíades Júnior
Colaborador
Meus Comentários:
Os especialistas, em parte, estão com a razão, pois uma barragem realmente localizada numa área de risco, ou seja, uma das regiões sismogênicas do Brasil (limite da bacia Potiguar, no Brasil tem zonas sismogênicas por incrível que pareça) pode ocorrer sismos devido a alteração de esforços locais, entretanto a previsão de sismicidade induzida é algo ainda em estudo, pois recentemente a Sismos induzido também ocorreram regiões assísmica e até em regiões sísmicas onde aconteceu o inverso, diminuindo a sismicidade natural. A UFRN vem fazendo monitoramento adequado para essa região
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